Estudos CTS e a defesa da democracia no Brasil

Os estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) constituem um campo de destaque na atualidade. O campo tem papel importante ao instigar a interdisciplinaridade, conectando áreas e propondo novos elementos para as pesquisas. Tais estudos constituíram-se em componente importante da reflexão em diversos países sobre a interseção entre o incremento das dinâmicas econômicas e a C&T. Em outros territórios, provocam o ávido debate sobe o papel da C&T em consonância com as políticas públicas para o desenvolvimento nacional. Dessa forma, o campo dos estudos CTS tem sido fundamental na compreensão da ciência e tecnologia como produções sociais e, por isso, não neutras e comprometidas com o arranjo social do qual resultam.

No contexto de avanço do conservadorismo, de tendências políticas de viés autoritário e de iniciativas de recuo a conquistas sociais civilizatórias fundamentais, fenômeno inclusive em escala global, as múltiplas vertentes que caracterizam a trajetória de consolidação dos estudos CTS são reafirmadas.

No âmbito do Brasil e da América Latina, transcorre um projeto que aglutina grupos com nítidos interesses na desconstrução das limitadas conquistas no âmbito das políticas de C&T.

No caso particular do Brasil, naquilo que concerne também aos objetos dos estudos CTS, os últimos tempos são marcados por iniciativas de imposição de teto de “gastos”, que não são compreendidos como investimentos, depauperamento das agências de fomento à pesquisa, dificuldades de recursos nas universidades e centros de pesquisa, reestruturação de ministérios e outros agentes importantes da pesquisa e da execução concreta de políticas de C&T.

Os estudos CTS têm nesse contexto a função social de reiterar os pilares da democracia no Brasil. Eles se constituem como peças fundamentais em superar nossa histórica desigualdade social, ao visibilizar contradições do passado e do presente e apontar horizontes de mudança e de resistência. Dessa forma, reafirmam a defesa de direitos conquistados e o papel das instituições como marcos da democracia.

Para tal ação, é fundamental a aproximação junto aos vários setores da sociedade e suas demandas, notadamente aquelas que promovam a justiça social. A divulgação e a popularização da ciência e da tecnologia ultrapassam a fronteira de áreas de pesquisa e atuação e tornam-se uma missão para o campo e sua necessidade histórica de defesa irrestrita da democracia.

É por tais caminhos que o VIII Simpósio Nacional de Ciência, Tecnologia e Sociedade da Associação Brasileira de Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (ESOCITE.BR), sediado no CEFET-MG, entre 15 e 17 de agosto de 2019, em parceria com a UFMG, se apresenta à sociedade. A pluralidade temática, atores e abordagens que são marca da ESOCITE.BR unem-se à tarefa de fazer com que eventos científico-tecnológicos fortaleçam a democracia e a possibilidade de construção do conhecimento crítico e autônomo.